Um erro freqüente que vivenciamos na escola bíblica é a dicotomia entre teoria e prática. Por muito tempo se tem dito (incoerentemente, é verdade) que nossos professores falham porque desenvolvem aulas "teóricas", significando com isso que os alunos da EBD não se engajam em atividades práticas. Será?
Convém apresentar neste artigo, para esclarecermos a situação-problema de nossas atividades educativas na EBD, (1) o significado de aula teórica (ou melhor, o processo de teorização); (2) o significado de aula prática (que não é somente o momento de aplicar o que foi aprendido previamente pela aula teórica) e (3) mostrar a relação orgânica teoria-prática que deve reger nossos empreendimentos educacionais na escola bíblica dominical.
O processo de teorização na EBD
Uma aula teórica na EBD é aquela em que todos os alunos são convidados a uma reflexão própria sobre um problema comum, com ajuda das ferramentas da pesquisa científica. Para subsidiar este conhecimento advindo das ciências bíblicas como a hermenêutica (ciência da interpretação), a história (principalmente, a do povo de Israel – AT e do primeiro século – NT), a lingüística (que esclarece para o estudioso da Bíblia o significado das palavras originais: em hebraico e grego), por exemplo, a Escola Bíblica Dominical faz uso de uma revista, que por sua vez é um comentário de um texto bíblico.
A revista deve ser instrumento de auxílio e não o instrumento de ensino. A aula teórica deve partir da situação-problema enfocada no estudo em pauta. É o caso, por exemplo, na lição de 4 de janeiro da revista Atitude, destinada aos jovens, que tem por título UMA DIFÍCIL CHAMADA. Em vez de ensinar de modo descritivo sobre a chamada do profeta Oséias, o professor deveria levar o aluno a encarar as seguintes questões (situações-problema): O que dá legitimidade à minha relação com Deus? Como devo melhorar a qualidade de minha relação com Deus? Ao fazer isto, o professor instiga a curiosidade dos alunos, leva-os a pensar e a buscar soluções.
É interessante notar, a esta altura, que o processo de teorização não elimina necessariamente a possibilidade do trabalho prático. A aula teórica deve ser planejada para conseguir a participação ativa dos alunos. A fim de exemplificar esta afirmação, por que não pedir aos alunos que formulem um questionário, contendo possíveis respostas às questões principais da reflexão teórica proposta? Há muitas outras técnicas de pesquisa que podem servir a este propósito: biblioteca, dados estatísticos, correspondência, debates, discussões etc.
O próximo passo seria pedir que eles apresentem os resultados, comparando-os com a LIÇÃO EM FOCO (seção da revista em que o aluno se vê diante da aplicação prática do estudo). É nesse momento que os alunos organizam suas descobertas e demonstram o domínio dos conteúdos propostos pela aula. Os resultados, porém, devem levar a classe de volta ao processo de teorização, num ciclo educativo, pela formulação de novas questões (situações-problema).
Planejando a aula prática
O conceito de aula prática que se tem difundido envolve dois aspectos: fazer coisas e aplicar o que foi aprendido. Pode-se afirmar, entretanto, que estes aspectos acabam por reduzir a abrangência proposta por este processo de ensino.
Uma aula pode ser chamada ‘prática’ quando os alunos são levados ao contato direto com a realidade. Infere-se daí que ela não tem fundamentalmente que vir após a problematização (reflexão, teorização), podendo antecipá-la.
Para servir de exemplo, usemos a lição 2, de 11 de janeiro, da revista Atitude, UMA CONTENDA COM DEUS, que apresenta o texto bíblico de Oséias 4 a 6. O tema do estudo focaliza a indignação divina contra o pecado do povo, especificamente, pela desobediência aos mandamentos divinos contra a prática da idolatria.
O professor poderia começar com a seguinte atividade: Dividir a turma em equipes. Entregar a cada equipe massa de modelar e pedir que construam um ídolo. O professor, então, organizaria sua aula teórica para mostrar os resultados da prática da idolatria na vida da nação. Seria importante, também, perguntar aos alunos por que deram aquele formato específico ao seu ídolo? O que esperavam dele? Na aplicação, toda a classe chegaria à conclusão que há necessidades espirituais a serem preenchidas na vida de cada ser humano e, não oferecendo a Deus a oportunidade de preencher este vazio, surge a ocasião para o ídolo, o substituto para Deus.
A relação orgânica teoria-prática
Teoria e prática são partes do mesmo processo de ensino-aprendizagem. Não devemos teorizar sem levar os alunos a viver experiências práticas que modifiquem sua percepção de mundo. Devemos fazer com que os contatos dos alunos com a realidade provoquem questionamentos que devem ser respondidos no processo de teorização.
Não seria fantástico fazer com que nossas escolas bíblicas superassem a dicotomia teoria x prática e tivéssemos aulas que promovessem a interação destes elementos essenciais da aprendizagem?
Então, mãos à obra!
Davi Freitas de Carvalho
é pastor da PIB da Fazenda Botafogo, RJ,
e membro do corpo editorial da Juerp
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Aulas Teológicas ou práticas na EBD?
terça-feira, 8 de setembro de 2009
A Ciência do Slide Perfeito
terça-feira, 18 de agosto de 2009
sábado, 8 de agosto de 2009
Dicas para uma boa apresentação
· Tamanho do texto grande e visível a uma boa distância da tela (2 metros).
· O texto deve ser escrito a tamanho 24 e o título a 44 (aproximadamente).
· O tipo de letra adequado para ser visto com nitidez é o Arial ou Verdana.
· Deve-se utilizar poucas cores e não demasiados tipos de letra.
· Utilizar a regra de 6 x 7, ou seja até 6 linhas por diapositivo e 7 palavras por linhas.
· O texto não deve ser muito comprido, ou seja, não deve ter nem muitos detalhes, mas sim simples e curto.
· O espaçamento entre linhas deve ser de 1,5 cm.
· As tabelas e os gráficos devem ter espaço com tamanho adequado e com fundos simples.
· Não se devem usar muitas imagens no mesmo slide, pois pode distrair.
· Deve-se usar efeitos sonoros apenas para quando é necessário
· Não usar o excesso de maiúsculas e de itálico e sublinhados
· Cor para chamar a atenção mas só uma!
· E espaçamento é importante, não muito pequeno!
· Utilizar numeração para listas ordenadas
· Se não for uma lista ordenada deve-se utilizar marcas
· Utilizar cores de letras claras e fundo escuro e vice-versa
· Cor com muito contraste!!!!!
· Tamanho de imagem conforme a sua capacidade de tamanho.
· Os conteúdos deve aparecer a medida que vamos falando
· Evitar demasiada informação num só click – chamada uma apresentação progressiva.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Apresentação em Powerpoint da aula ministrada pelo aluno Jamerson Dias sobre Graça e Salvação - Julho/2009
Apresentação em Powerpoint da aula ministrada pelo aluno Fernandes Silver sobre Santa Ceia - Julho/2009
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Seus slides comunicam ou atrapalham?
- as pessoas nada entenderam?
- as pessoas dormiram?
- as pessoas não conseguiam acompanhar sua mensagem pela rapidez na apresentação dos slides?
- os slides não refletiam o que você estava querendo comunicar?
Você tem idéia de quantos slides deveria mostrar em uma apresentação de 30 minutos? Normalmente slides em apresentações representam um grande desperdício:
- Desperdício de tempo porque as apresentações são muito longas e as pessoas prefeririam estar trabalhando. Ou estar em qualquer outro lugar, menos ali na frente daquele telão.
- Desperdício de oportunidades porque um slide bem feito deveria ser uma ótima ferramenta de argumentação e exposição de idéias, mas poucos aproveitam a chance.
- Desperdício de motivação, já que uma boa apresentação, uma apresentação de fato EFICAZ, deveria fazer as pessoas AGIREM! E o máximo de reação normalmente é uma consulta ao relógio. Uma não, várias!
Então, o que é uma boa apresentação? Ao criar slides eletrônicos é preciso levar em conta três pontos igualmente importantes: conteúdo, layout e apresentação.
1) O conteúdo
Menos é mais! Quando for produzir um slide, considere:
* Uma boa apresentação deve ter pouquíssimos slides. Quanto menos, melhor! 10 slides é um bom número, QUALQUER QUE SEJA A DURAÇÃO DA APRESENTAÇÃO! Ninguém agüenta ficar olhando muito tempo para um telão. Se sua apresentação durar muito tempo, digamos 4 ou 8 horas, poupe os olhos da platéia. Crie dinâmicas, converse, debata, mas TIRE A IMAGEM DA TELA!
* O primeiro slide deve ser impactante. O último, inesquecível.
* Você quer estruturar bem sua apresentação? Não comece pelos slides, rascunhe em papel ou digite no Word os tópicos principais que você precisa abordar. E também os objetivos que você precisa atingir. Só aí pense em criar seu primeiro slide. Ah, se você usar o Word para estruturar sua apresentação, ele próprio pode depois criar – sozinho – seus slides PowerPoint. Mas este é assunto para outro artigo.
* Um bom slide deve exibir no máximo 6 informações. Um bom slide deve ser lido em até 9 segundos. É como se fosse um outdoor, você precisa ler tudo rapidamente enquanto passa de carro por ele.
* Em vez de frases, use palavras-chave. Elas auxiliam o apresentador a se lembrar do que falar e – mais importante – facilitam a memorização, pela platéia, dos conceitos mais importantes.
* Não corra o risco de ser insistente e chato: para que ficar repetindo o título da apresentação em TODOS os slides? Ora, se ali pelo terceiro ou quarto slide ninguém souber o assunto de sua apresentação, tem algo errado, concorda? Título deve aparecer só no primeiro slide, o de abertura. E talvez no último! Além do mais, sem o título, seu slide fica mais perto do limite recomendado de seis informações por slide.
2) O layout
Slide não foi feito para ser lido, slide foi feito para ser VISTO:
* Prefira figuras ou gráficos, EVITE TABELAS OU PLANILHAS! Ninguém consegue ler aqueles números minúsculos que muitos insistem em exibir!
* Não use marcadores (bullets), experimente colocar as informações em AutoFormas.
* Não use letras maiúsculas. Nem em títulos! A não ser quando você quer mesmo CHAMAR A ATENÇÃO sobre um assunto muito importante.
* Prefira fontes redondas, como Verdana, Arial ou Tahoma. Esqueça o Times New Roman, que dificulta a leitura em telão. Você sabia que o Verdana foi criado especialmente para telas e telões?
* Letras pequenas? Jamais! A fonte em um slide deve ter no mínimo 18pt. Mas este é um tamanho que você deveria usar uma única vez por ano. Ano bissexto! Que tal usar fonte 30 ou 40? Muito grande? Na verdade não, experimente! Até porque seus slides daqui para frente terão pouco texto, não é mesmo?
* Use e abuse de espaços em branco. Slides limpos proporcionam excelentes resultados.
* Deixe o layout falar. Em vez de tradicionais aspas, experimente negritos e tamanhos diferentes de palavras para separar título e detalhes, por exemplo.
* A TV tem horário nobre? O slide também tem! Não horário propriamente dito, claro, mas o local que todos enxergam primeiro: O canto superior esquerdo. É lá que devem ficar as informações mais importantes!
3) A apresentação
Anime a platéia, ANIME os slides! Mas, cuidado, ninguém agüenta mais aquelas animações primárias do tipo título que entra correndo ao som de um carro freando. Ou uma palavra entrando com piruetas no slide. Em vez disso, use animações de contexto, que ajudam na exposição de idéias:
* Exiba os elementos do slide por partes.
* Considere ocultar, e não esmaecer, os elementos já abordados, assim a platéia fica focada só naquilo que você está falando no momento.
* Estimule a participação das pessoas. Prepare slides que criem oportunidades de interação.
* Nunca, JAMAIS, leia o que está escrito no slide. A platéia sabe ler! Dê um tempo para que ela leia tudo antes e só depois converse sobre o que foi lido. Apresentadores que insistem em ler slides estão sublinarmente dizendo que a platéia não sabe ler. E você não vai querer passar esta mensagem, vai?
* Fique sempre atento ao tempo da apresentação: nem mais nem menos do que o planejado. Nada mais ineficaz do que correr no final só para exibir os slides restantes. Ou acabarem os slides e você ficar sem assunto...
Fazer apresentações é um desafio! E muito estimulante! Experimente colocar em prática estas sugestões. Você certamente colherá excelentes resultados!
Lembre-se de que tudo o que foi dito vale para quem vai fazer o slide, bem como para quem vai mandar fazer um slide.
Original em Instituto Jetro
terça-feira, 16 de junho de 2009
Apresentação em Powerpoint da aula ministrada pela aluna Verônica Lúcia sobre Arrependimento - Junho/2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Apresentação em powerpoint da Aula ministrada pelo aluno Carlos Alberto sobre A Nova Aliança - Junho/2009
Apresentação em powerpoint da Aula ministrada pela aluna Márcia Maria sobre Santidade - Junho/2009
Apresentação em powerpoint da Aula ministrada pela aluna Maria de Fátima sobre Adoração - Maio/2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
Dinâmica: Perguntas com Bexiga-Quente na EBD
Bexiga QuenteParticipantes: Recomendável menos de 20 participantes.
Duração: Até o fim da lista de perguntas.
Material: 4 bexigas, 2 de cadas cor, música, prêmios para os ganhadores.
Realização:
Realizar após a aula.
1 - Preparar uma lista de perguntas sobre a lição.
2 - Dispor as pessoas em um circulo fechado.
3 - Fornecer as bexigas de forma intercala, ou seja, Ex: Preta, pula algumas pessoa e fornece uma bexiga branca, depois pula algumas pessoa e fornece uma bexiga preta...
4 - Usar a música para iniciar e parar a brincadeira de passar bexiga um para o outro no sentido horário ou anti-horário.
Os pares de bexiga de cores diferente servem para que uma cor dê o direito da pessoa consultar o material que tenha disponivel ou não.
Por exemplo: A pessoa que ficou com a bexiga branca tem o direito de consultar o material para responder, a pessoa que ficou com a bexiga preta não tem o direito de consultar o material.
Inicia-se a brincadeira com a música, as bexigas são passadas de mãos em mãos, se uma bexiga branca se chocar uma preta a pessoa que recebeu as duas bexigas é retirada da brincadeira.
Pare-se a música e as pessoa que ficaram com as bexigas nas mãos tem responder as perguntas: Com bexiga branca pode-se consultar, com bexiga reta não pode-se consultar.
Segue-se na brincadeira até que todas as perguntas tenham sido feitas.
Em parelelo se faz a soma dos pontos de cada participante e no final os que obtiveram mais pontos tem o direito de escolher o prêmio primeiro.
Você pode colocar como prêmios: Bombons de vários tipos, chicletes, balas e etc...
Está dinâmica é ótima para ser realizada em uma aula de EBD e sair da rotina...
Raiz de Davi
terça-feira, 10 de março de 2009
Como fazer Fichamento de Texto ou Livro
sexta-feira, 6 de março de 2009
PSICOLOGIA DO ENSINO: A APRENDIZAGEM DE ATITUDES, VALORES E NORMAS
O presente texto é um resumo do capítulo 19, da obra "Psicologia do Ensino", de César Coll Salvador & Cols.A escola é um espaço que contribui eficazmente como agente de socialização, promovendo a aquisição de valores, de comportamentos e de normas em seus discentes.
Os valores dão sentido, orienta e possibilita a tomada de decisões. Valores falam de referenciais, que norteiam padrões de conduta desejáveis para a manutenção da paz e bem estar social.
Os valores são representações construídas socialmente, condicionantes da percepção e representação subjetiva de mundo. São mutáveis, dependo do contexto cultural e pessoal dos sujeitos.
Nos objetivos da etapa do ensino fundamental, alguns valores podem ser encontrados. São eles: A autonomia e a iniciativa, a saúde e a higiene, a participação e a solidariedade, o respeito aos valores dos outros (tolerância), a responsabilidade, a convivência e a estima pela paz, a tradição histórica e cultural, a conservação e a melhoria do meio físico e natural, a identidade nacional e pessoal, o uso correto dos recursos materiais, técnicos e naturais, a sensibilidade estética, a criatividade, a conservação do patrimônio cultural, o respeito à diversidade lingüística e cultural dos povos e das pessoas. (Generalitat de Catalnya. Departamento de Ensino, 1992. Currículum. Educació primária p. 25.)
As atitudes fazem parte das características diferenciais da personalidade. Falam de ação do sujeito em relação a um objeto, situação, fato, pessoa ou conjunto de pessoas ou idéias. Formam-se a partir da experiência e ativam-se na presença do objeto.
As normas, sendo prescrições para ação de determinadas maneiras em situações específicas, regulam o comportamento individual e o coletivo, tornando as condutas previsíveis. As normas podem ser sociais (interiorizáveis) ou próprias (subjetivas).
Valores, atitudes e normas estão inter-relacionados. Dentro de um sistema cognoscitivo, evoluem e são sensíveis à influência externa, como também ao próprio desenvolvimento integral da pessoa. O sistema de valores pode ser social ou pessoal.
Desenvolvimento moral e aprendizagem de valores e de atitudes
Educação em valores éticos pode ser designada também de educação moral. Quando se fala de educação moral refere-se ao processo que caminha em direção a autonomia crescente, de crianças e jovens, de ação e de pensamento, de acordo com critérios morais pessoalmente configurados. A aprendizagem e o desenvolvimento moral são visto por diferentes perspectivas na psicologia. São elas: conformidade com as normas do grupo, regulação interna da conduta na ausência de sanções externas, conduta próssocial ou de ajuda, juízo e raciocínio moral.
A Aprendizagem e o ensino de atitudes, de valores e de normas
Destacam-se como estratégias de ensino mais adequadas para a aprendizagem das atitudes, dos valores e das normas, as seguintes: mostrar, explicitar e explicar as normas que regulam a vida coletiva para facilitar o conhecimento; Explicitar e fazer com que os critérios de determinadas decisões e a atuações sejam explicados, colocando em situações de decidir, de julgar e de atuar; Valorizar os comportamentos e as atitudes desejadas ou esperadas; Promover a contrastação de critérios e de opiniões; Planejar diferentes possibilidades e alternativas, valorizar para ajudar a valorizar os prós e os contra, ajudar a analisar os valores subjacentes com o objetivo de facilitar a assunção de valores, a construção de critérios próprios e a tomada de decisões por consenso; Criar espaços e momentos para falar, para intercambiar ou obter informação sobre como funcionam o mundo natural e o social, requisito prévio para compreender e valorizar atuações.
Técnicas concretas inspiradas nesses princípios podem ser utilizadas: o jogo de simulação, o jogo cooperativo, o estudo de casos, a discussão de dilemas, o esclarecimento de valores, o comentário de textos, etc. O ensino dos conteúdos pode ser via curricular (extrínseca e integrada) e institucional. Estas vias se complementam.
No conteúdo curricular variado, devem ser considerados: Valores e atitudes morais e globais (metas valiosas por si mesmas); Valores e atitudes subjetivos (que correspondem às valorizações, ao gosto e ao interesse individuais); Valores e atitudes implícitos nos eixos transversais do currículo; valores e atitudes relacionadas com a convivência realizada no centro educativo e na sala de aula; Valores e atitudes relacionados com o trabalho (ordem, rigor, representação, pontualidade, etc.) e atitudes que predispõem ao processo de aprendizagem; Valores e atitudes específicos das áreas de conhecimento.< Além da programação sistemática de conteúdos atitudinais, um clima de comunicação e a gestão cooperativa da aprendizagem são condições relevantes na aprendizagem de atitudes e valores. O papel do professor no desenvolvimento deste processo é fundamental. Concluo neste resumo, que em meio a uma sociedade pós-cristã e pós-moderna, onde a relativização, o hedonismo, a competitividade egoísta e o antinomismo imperam, o papel da escola é fundamental no processo de formação e desenvolvimento de valores. Penso também, que sem a participação efetiva dos pais na vida escolar dos seus filhos, e na consolidação dos valores que promovem o maior e melhor bem estar pessoal e social, iremos de mal a pior. É preciso que todos se mobilizem neste sentido, nesse momento de profunda crise ética e moral na história da humanidade. "E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia. Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem." (Rm 1.28-32)
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SALVADOR, César Coll et all. Psicologia do Ensino. São Paulo: Artmed, 2000. p. 322-329
Blog do Pastor Altair Germano
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Superando a dicotomia no ensino: Aulas Teológicas ou práticas na EBD?
Um erro freqüente que vivenciamos na escola bíblica é a dicotomia entre teoria e prática. Por muito tempo se tem dito (incoerentemente, é verdade) que nossos professores falham porque desenvolvem aulas "teóricas", significando com isso que os alunos da EBD não se engajam em atividades práticas. Será?
Convém apresentar neste artigo, para esclarecermos a situação-problema de nossas atividades educativas na EBD, (1) o significado de aula teórica (ou melhor, o processo de teorização); (2) o significado de aula prática (que não é somente o momento de aplicar o que foi aprendido previamente pela aula teórica) e (3) mostrar a relação orgânica teoria-prática que deve reger nossos empreendimentos educacionais na escola bíblica dominical.
O processo de teorização na EBD
Uma aula teórica na EBD é aquela em que todos os alunos são convidados a uma reflexão própria sobre um problema comum, com ajuda das ferramentas da pesquisa científica. Para subsidiar este conhecimento advindo das ciências bíblicas como a hermenêutica (ciência da interpretação), a história (principalmente, a do povo de Israel – AT e do primeiro século – NT), a lingüística (que esclarece para o estudioso da Bíblia o significado das palavras originais: em hebraico e grego), por exemplo, a Escola Bíblica Dominical faz uso de uma revista, que por sua vez é um comentário de um texto bíblico.
A revista deve ser instrumento de auxílio e não o instrumento de ensino. A aula teórica deve partir da situação-problema enfocada no estudo em pauta. É o caso, por exemplo, na lição de 4 de janeiro da revista Atitude, destinada aos jovens, que tem por título UMA DIFÍCIL CHAMADA. Em vez de ensinar de modo descritivo sobre a chamada do profeta Oséias, o professor deveria levar o aluno a encarar as seguintes questões (situações-problema): O que dá legitimidade à minha relação com Deus? Como devo melhorar a qualidade de minha relação com Deus? Ao fazer isto, o professor instiga a curiosidade dos alunos, leva-os a pensar e a buscar soluções.
É interessante notar, a esta altura, que o processo de teorização não elimina necessariamente a possibilidade do trabalho prático. A aula teórica deve ser planejada para conseguir a participação ativa dos alunos. A fim de exemplificar esta afirmação, por que não pedir aos alunos que formulem um questionário, contendo possíveis respostas às questões principais da reflexão teórica proposta? Há muitas outras técnicas de pesquisa que podem servir a este propósito: biblioteca, dados estatísticos, correspondência, debates, discussões etc.
O próximo passo seria pedir que eles apresentem os resultados, comparando-os com a LIÇÃO EM FOCO (seção da revista em que o aluno se vê diante da aplicação prática do estudo). É nesse momento que os alunos organizam suas descobertas e demonstram o domínio dos conteúdos propostos pela aula. Os resultados, porém, devem levar a classe de volta ao processo de teorização, num ciclo educativo, pela formulação de novas questões (situações-problema).
Planejando a aula prática
O conceito de aula prática que se tem difundido envolve dois aspectos: fazer coisas e aplicar o que foi aprendido. Pode-se afirmar, entretanto, que estes aspectos acabam por reduzir a abrangência proposta por este processo de ensino.
Uma aula pode ser chamada ‘prática’ quando os alunos são levados ao contato direto com a realidade. Infere-se daí que ela não tem fundamentalmente que vir após a problematização (reflexão, teorização), podendo antecipá-la.
Para servir de exemplo, usemos a lição 2, de 11 de janeiro, da revista Atitude, UMA CONTENDA COM DEUS, que apresenta o texto bíblico de Oséias 4 a 6. O tema do estudo focaliza a indignação divina contra o pecado do povo, especificamente, pela desobediência aos mandamentos divinos contra a prática da idolatria.
O professor poderia começar com a seguinte atividade: Dividir a turma em equipes. Entregar a cada equipe massa de modelar e pedir que construam um ídolo. O professor, então, organizaria sua aula teórica para mostrar os resultados da prática da idolatria na vida da nação. Seria importante, também, perguntar aos alunos por que deram aquele formato específico ao seu ídolo? O que esperavam dele? Na aplicação, toda a classe chegaria à conclusão que há necessidades espirituais a serem preenchidas na vida de cada ser humano e, não oferecendo a Deus a oportunidade de preencher este vazio, surge a ocasião para o ídolo, o substituto para Deus.
A relação orgânica teoria-prática
Teoria e prática são partes do mesmo processo de ensino-aprendizagem. Não devemos teorizar sem levar os alunos a viver experiências práticas que modifiquem sua percepção de mundo. Devemos fazer com que os contatos dos alunos com a realidade provoquem questionamentos que devem ser respondidos no processo de teorização.
Não seria fantástico fazer com que nossas escolas bíblicas superassem a dicotomia teoria x prática e tivéssemos aulas que promovessem a interação destes elementos essenciais da aprendizagem?
é pastor da PIB da Fazenda Botafogo, RJ,
e membro do corpo editorial da Juerp
sábado, 27 de dezembro de 2008
7 dicas para aulas melhores em EBD
Eis aqui um estudo de como preparar uma aula melhor para EBD, ele foi escrito por Júlio Clebsch e publicado no blog ensinodominical
São 7 dicas para dar aulas melhores: 1 - Incite, não informe, 2 - Conheça o ambiente, 3 - No final das contas (e no começo também), 4 - Simplifique, 5 - Ponha emoção, 6 - A pedra no sapato e 7 - Pratique. Clique no link abaixo e continue a ler.
1 - Incite, não informe
Uma boa aula não termina em silêncio, ou com os alunos olhando para o relógio. Ela termina com ação concreta. Antes de preparar cada aula, pergunte-se o que você quer que seus alunos aprendam e façam e como você os convence disso?
Olhe em volta, descubra o que pessoas, nas mais diferentes profissões, fazem para conseguir a atenção dos outros. Por exemplo, ao fazer um resumo de uma matéria, não coloque um “título”; imagine-se um repórter e coloque uma manchete. Como aquela matéria seria colocada em um jornal ou revista? Use o espírito das manchetes, não seja literal, nem tente ser um professor do tipo:
Folha: Números Primos encontrados no congresso. 68% dos outros algarismos são contra.
IstoÉ: Denúncia: A conta secreta de Maurício de Nassau. Fernando Henrique poderia estar envolvido, se já fosse nascido.
Zero Hora: O Mar Morto não fica no Rio Grande do Sul. Apesar disso, você precisa conhecê-lo.
Caras: Ferro diz que relacionamento com oxigênio está corroído: “Gás Nobre coisa nenhuma”.
2 - Conheça o ambiente
Você nunca vai conseguir a atenção de uma sala sem a conhecer. Onde moram os alunos e como eles vivem - quem vem de um bairro humilde de periferia não tem nada a ver com um morador de condomínio fechado, apesar de, geograficamente, serem vizinhos. Quais informações eles tiveram em classes anteriores, quais seus interesses. Mesmo nas primeiras séries cada pessoa tem suas preferências e o grupo assume determinada personalidade.
3 - No final das contas (e no começo também)
As partes mais importantes de uma aula são os primeiros 30 e os últimos 15 segundos. Todo o resto, infelizmente, pode ser esquecido se você cometer um erro nesses momentos.
Os primeiros 30 segundos (principalmente das primeiras aulas do ano ou semestre) são um festival de conceituação e de cálculo dos discentes. Mesmo inconscientemente, eles respondem às seguintes questões:
- Quem é esse professor? Qual seu estilo?
- O que posso esperar dessa aula hoje e durante todo o ano?
- Quanto da minha atenção eu vou dedicar?
E isso, muitas vezes, sem que você tenha aberto a boca.
4 - Simplifique
Você certamente já presenciou esse fenômeno em algumas palestras: elas acabam meia hora antes do final. Ou seja, o apresentador fala o que tinha que falar, e passa o resto do tempo enrolando. Ou então, pior, gasta metade da apresentação com piadas, truques de mágica, histórias pessoais que levam às lágrimas, “compre meu livro” e aparentados, e o assunto, em si, é só apresentado no final - se isso.
Por isso, uma das regras de ouro de uma boa aula é - simplifique, tanto na linguagem como na escrita. Caso real: reunião de condomínio na praia, uma senhora reclamava que sua TV não funcionava direito.
Explicaram-lhe que era necessário sintonizar em UHF. Ela então perguntou para quê a diferença entre UHF e VHF. Um vizinho prestativo passou a discorrer sobre diferenças na recepção, como uma transmissão poderia interferir na outra, nas características geográficas… Ela continuava com aquela cara de quem não entendia nada. Até que um garoto resumiu a questão em cinco letras:
“AM e FM.”
“Ahhh, entendi.”
Escrever e falar da maneira mais simples possível não significa suavizar a matéria ou deixar de mencionar conceitos potencialmente “espinhosos”. Use e abuse de exemplos e analogias. Divida a informação em blocos curtos, para que seja melhor assimilada.
5 - Ponha emoção
Certo, você tem PhD naquela área, pesquisou o assunto por meses a fio, foi convidado para dar aulas em faculdades européias. Mesmo assim, seus alunos podem não prestar atenção em você. Segundo estudos, o impacto de uma aula é feito de:
- 55% estímulos visuais - como você se apresenta, anda e gesticula;
- 38% estímulos vocais - como você fala, sua entonação e timbre;
- e apenas 7% de conteúdo verbal - o assunto sobre o qual você fala.
Apoiar-se somente na matéria é uma forma garantida de falar para a parede, já que grande parte dos alunos estará prestando atenção em outra coisa. Treine seus gestos, conte histórias, movimente-se com naturalidade. Passe sua mensagem de forma intererssante.
Para o bem e para o mal, você dá aula para a geração videoclipe. Pessoas que foram criadas em frente aos mais criativos comerciais, em que videogames mostram realidades fantásticas. Entretanto, a tecnologia deve ser encarada como aliada, e não inimiga - apresentações multimídia, aparelhos de som, videocassetes - tudo isso pode ser usado como apoio à sua aula.
6 - A pedra no sapato
Pode ser a bagunça da turma do fundão. No ensino médio e superior, pode ser aquele aluno que duvida de tudo o que você diz pelo simples prazer de duvidar. Ou pode até ser um livro esquecido, ou computador que resolve não funcionar.
De qualquer maneira, grande parte do sucesso de sua aula depende de como você lida com esses inesperados. Responda a uma pergunta de maneira rude ou desinteressada, e você perderá qualquer simpatia que a classe poderia ter por você. Seja educado e solícito - a pior coisa que pode acontecer a um professor é perder a calma.
A razão é cultural e muito simples: tendemos sempre a torcer pelo mais fraco. Neste caso, seu aluno. A classe inteira tomará partido dele, não importa quem tenha a razão.
Se um discípulo fizer um comentário rude, repita o que ele disse e fique em silêncio por alguns instantes - são grandes as chances de ele se arrepender e pedir desculpas. Se for preciso, diga algo como “Estou pensando no que você disse. Podemos falar sobre isso após a aula?” Outra forma de se lidar com a situação é responder a questão na hora, ponderadamente - e para toda a classe, não apenas para quem perguntou. Termine sua exposição fazendo contato visual com outro aluno qualquer, por duas razões - a expressão dele vai lhe dizer o que a turma inteira achou do que você disse, ao mesmo tempo que desistimula outras participações inoportunas do aluno que o interrogou.
Não transforme sua aula em um debate entre você e um aluno - há pelo menos mais 20 e tantas pessoas presentes que merecem sua atenção.
7 - Pratique
Sua aula, como qualquer outra ação, melhora com o treino. Muitos professores se inteiram da matéria, e só treinam a aula uma vez - exatamente quando ela é dada, na frente dos alunos. Não é de se admirar que aconteçam tantos problemas com o ritmo - alguns tópicos são apresentados de maneira arrastada, outras vezes o professor termina o que tem a dizer 20 minutos antes do final da aula. Sem falar nos finais de semestre em que se “corre” com a matéria.
Só há uma maneira de evitar tais desastres. Treine antes. Dê uma aula em casa para seu cônjuge/filhos ou, na falta desses, para o espelho. Não use animais de estimação, são péssimos alunos - seu cachorro gosta de tudo o que você faz e os gatos têm suas próprias prioridades, indecifráveis para as outras espécies. E o que se busca com o treino é,principalmente, uma crítica construtiva.
Fonte: 7 dicas para das aulas melhores no blog ensinodominical
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
O PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL E O HÁBITO DE LEITURA
A atualização e contínua busca por conhecimento é um fator de fundamental importância no mundo contemporâneo. Tal atitude é indispensável para o sucesso em qualquer atividade, inclusive a docência cristã. Como bem colocou Martins, Maestri e Cosenza (2004, p. 77) o homem moderno, para inserir-se na sociedade contemporânea de forma satisfatória, se depara com grandes desafios. Possuir informações gerais e específicas, que cooperem no acompanhamento das rápidas mudanças tecnológicas, científicas, culturais e sociais, torna-se fator vital para a realização pessoal, social, profissional e ministerial na vida de um ministro do evangelho. A leitura se constitui um elemento fundamental para a aquisição de novos saberes e compreensão do mundo atual. É um comportamento imprescindível na vida contemporânea (WITTER, 2004, p. 181).Conhecimento é agregação, interação e acumulação de informação. A busca constante por novos saberes exige dos professores de ED leitura especializada e geral. A resistência à leitura é uma realidade, e muitos ignoram os males resultantes desta prática salutar.
A leitura de livros permite ao ser humano refletir, socializar e disseminar o seu conhecimento com o propósito de construir novos conhecimentos. Apesar de todo o desenvolvimento das tecnologias de informação, da ampliação dos projetos de inclusão digital, nada substitui a importância da leitura.
As pesquisas demonstram que o hábito de ler está longe do ideal em nossa nação. No Brasil, cada brasileiro lê pouco mais de dois livros por ano.
O professor de ED, em linha gerais, ainda não reconhece no ato de ler, o seu valor para o desenvolvimento intelectual, adequação de comportamentos a nova realidade cultural e social, sem falar da possibilidade de conduzir o seu aluno a um processo de desenvolvimento e entendimento da realidade, fato este que produzirá indivíduos mais atuantes, conhecedores dos grandes desafios deste século e capazes de adequar suas práticas ao novo contexto, produzindo com isso maior resultado para o Reino de Deus, sem contudo, abrir mão dos princípios inegociáveis da Bíblia sagrada.
Conforme Martins (2007, p. 22), o conceito de leitura é bem mais abrangente do que um simples decodificar da escrita, é um ato que implica na formação global do indivíduo e em sua relação com o mundo que o cerca. Diz ainda a autora, que a leitura independe do contexto escolar, é para além do texto escrito, permite compreender e valorizar melhor cada passo do aprendizado das coisas, cada experiência, "Ampliar a noção de leitura em geral pressupõe transformação na visão de mundo em geral e na de cultura em particular”. Ela quer dizer que ler não é simplesmente decifrar o que está escrito, mas um ato que resulta na formação geral do indivíduo, e que faz com que ele se adapte ao mundo em que vive não se limitando apenas às vivências escolares, mas "enxergando" além daquilo que está escrito.
Araújo (1972, p. 11) cita Russel que define a leitura como "um ato sutil e complexo que abrange, simultaneamente, a sensação, a percepção, a compreensão e a integração". Com isso ele quer dizer que ler não se limita apenas a perceber as palavras, mas ao mesmo tempo entender o todo reagindo às idéias apresentadas procurando integrá-las as suas vivências.
Por ser um instrumento de aquisição de conhecimentos, a leitura, se levada a efeito crítica e reflexivamente, levanta-se como um trabalho de combate à alienação, capaz de facilitar ao gênero humano a realização de sua plenitude. É preciso saber, se a organização social onde a leitura aparece e se localiza, em nosso caso, a Escola Dominical, dificulta ou facilita o surgimento de homens - leitores críticos e transformadores.
OS BENEFÍCIOS DA LEITURA PARA O PROFESSOR DA ED
A necessidade e o incentivo para a prática constante da leitura por parte dos ministros cristãos podem ser observados através de uma análise do que vários escritores cristãos e não-cristãos escreveram sobre o assunto.
Como bem colocou Bamberger (2005, p. 70), o hábito de leitura só será realidade se o indivíduo perceber que vale a pena, dando-se conta de que a leitura poderá fazer muito por seus interesses pessoais, profissionais e sociais. No caso da docência cristã, os interesses do Reino estão acima de todos os outros. Muitos são os benefícios da leitura. Observemos alguns:
- Possibilidade de Emancipação Intelectual. A questão emancipadora ou libertadora, envolve a leitura crítica. Longe de ser uma atividade meramente mecânica e reprodutora de idéias e conceitos, al leitura crítica é realizada mediante um conjunto de características que envolve a constatação, o cotejo e a transformação. Criticidade vai além de compreensão de idéias e da mera reprodução de doutrinas. Criticidade envolve convicção e posicionamento diante da Palavra de Deus.
- Desenvolvimento do Homem. A leitura permite o acesso do povo aos bens culturais já produzidos e registrados pela escrita e, portanto, como meio de conhecimento e crítica dos fatores históricos, científicos, literários etc.
A importância da leitura no exercício do ministério docente cristão é descrita por Sanders (1985, p. 90-91) como essencial para o homem que deseja crescer, espiritual e intelectualmente. A leitura deve ser uma prática importante;
- Para obter avivamento espiritual e proveitoso. Um avivamento proveitoso e espiritual é aquele que nasce da leitura da Bíblia, de bons livros e do mundo que nos cerca. Sem estes fundamentos o avivamento tornar-se-á um mero evento transitório, emotivo e infrutífero;
- Tendo em vista o estímulo mental. A leitura é instrumento para o estímulo de novos pensamentos e idéias. MacDonald (apud Habecker, 1998, p. 51) diz que “o crescimento da mente torna possível que as pessoas sirvam às gerações em que vivem [...]. Se desenvolvo a minha mente posso fazer com que os outros cresçam”. Um professor de ED aprovado é aquele que sempre procura estar com as idéias renovadas e organizadas;
- A fim de obter cultivo de estilo. Aqui a pregação e o ensino se destacam. A leitura da Bíblia associada à leitura de bons livros proporcionará como já colocado, um aumento do vocabulário e desenvolvimento na arte da elocução incisiva e persuasiva. O aprimoramento da linguagem, da expressão, nos níveis individual e coletivo. Nos dias atuais, a capacidade comunicação clara e fluente, exige que os professores de ED desenvolvam suas habilidades de comunicação. Isso implica em um vocabulário bastante rico. A leitura é uma ferramenta essencial nesse processo.
- Com vistas a adquirir informações. Devido o volume de informações em nossa época, a leitura é uma ferramenta essencial para o pastor manter-se bem informado e atualizado. Sobre isto diz Mendes (1999, p. 44) que “A comunicação eficiente da Palavra de Deus exige bons conhecimentos da língua pátria e da atualidade”. A leitura pode ser considerada como condição sine qua non na conquista de qualquer corpo de informação (SILVA; MALOZE; LEME, 1997, p. 101).
- A fim de ter comunhão com as grandes mentes. Ter contato com grandes pensadores cristãos é um exercício de grande valor cultural para o professor da ED.
PAULO O LEITOR
O apóstolo Paulo, grande referencial para os mestres cristãos de todas as épocas (2 Tm 1.11), foi um grande leitor. Escrevendo em 2 Tímóteo, 4:13 ele diz: “Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos”. Foi em razão do conhecimentos adquirido pela leitura de diversas obras, que Paulo sobre contextualizar estes escritos em algumas situações por ele vivenciadas.Quando esteve em Atenas, durante a sua segunda viagem missionária, ao ser inquirido acerca de sua mensagem pelos filósofos epicureus e estóicos (Atos 17:18-20), durante sua argumentação fez as seguintes citações: “Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (Atos 17:28a). French e Stronstad (2003, p. 731) comentam: “Sua primeira citação é presumivelmente retirada do poeta e filósofo cretense Epimênides (século VI a.C.)”.
A segunda citação em Atos 17.28, “Porque dele também somos geração” é conforme French e Stronstad (idem, p. 731), atribuída ao poeta Ciliciano Arato (século III a.C.).
Outro caso de citação de literatura secular encontra-se em Tito 1:12: “Foi mesmo, dentre eles, um seu profeta, que disse: Cretenses, sempre mentirosos, feras terríveis, ventres preguiçosos”. Tal citação se refere a Epimenides de Cnosso, em Creta, um ensinador de religião e adivinho, que viveu aproximadamente em 305-240 a.C (ibden, p.1510).
Fica dessa forma evidenciado pelos relatos bíblicos aqui citados, que a leitura, tanto do texto sagrado como de outras obras, é de fundamental importância na vida daqueles que foram chamados por Deus para realizarem a sua obra, principalmente para os professores de ED.
CONCLUSÃO
Ler é essencial. O desenvolvimento do hábito de leitura, não deve, contudo, ser encarado como uma obrigação, antes, precisa ser percebido e vivenciado como uma atividade prazerosa.
Quando lemos, crescemos espiritualmente, intelectualmente e ministerialmente. Crescer e continuar crescendo, é necessidade vital para o exercício do ministério cristão e para a constante atualização.
Longe de ser uma apologia ao intelectualismo, o ato de ler se constitui numa das maiores fontes de qualificação para o professor da ED, em plena pós-modernidade, em meio à sociedade do conhecimento.
É preciso se contextualizar sem secularizar-se, desenvolver-se como pessoa, cristão e educador. O hábito de leitura, certamente, irá colaborar para o alcance de tais exigências.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Maria Yvonne Atalício de. Iniciação à leitura. Belo Horizonte: Virgília, 1972.
BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito de leitura. 7. ed. Tradução de Octavio Mendes Cajado. São Paulo: Ática/UNESCO, 2005
BÍBLIA. Português. A Bíblia sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004. Revista e Atualizada no Brasil, 2. Ed.
COSTA, Patrícia. Hábito de leitura e compreensão de textos: uma análise da realidade de pós-graduados em Administração. Dissertação (mestrado em Administração). Universidade Federal de Sta. Maria: Santa Maria, RS, 2006.
MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. 19. ed. São Paulo: Brasiliense, 2007.
MARTINS, Lucy Nunes Ratier; MAESTRI, Marcos; COSENZA, Marisa. Contexto de Leitura em professores universitários. In Witter, G. P. (Org.), Leitura e psicologia (pp. 78-91). Campinas: Alínea, 2004.
MENDES, José Deneval. Teologia pastoral: a postura do obreiro é indispensável para o êxito no ministério cristão. 9. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
SANDERS, J. OSWALD. Liderança espiritual: os atributos que Deus valoriza na vida de homens e mulheres para exercerem liderança. Tradução de Oswaldo Ramos. São Paulo: Mundo Cristão, 1985.
SILVA, Antonio Gilberto da. Manual da Escola Dominical: pela excelência do ensino da Palavra de Deus. 17. ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1997.
SILVA, Elza Maria Tavares; MALOZZE, Gertrudes L. M.; LEME, Maria de Lourdes C. S. Compreensão de leitura entre universitários do primeiro e quinto anos de Direito. In Witter, G. P. (Org.), Psicologia leitura & universidade (pp. 101-110). Campinas: Alínea, 1997.
WITTER, Geraldina Porto (org.) Leitura e psicologia. Campinas, SP: Alínea, 2004.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
ESCOLA DOMINICAL CONVENCIONAL x A NOVA ESCOLA DOMINICAL
Instituições e pessoas que não se adequam às novas realidades, acabam ficando obsoletas e ultrapassadas. Isto não é diferente em se tratando de Escola Dominical. Contextualizar-se sem secularizar-se é fator vital para uma organização de ensino que espera continuar relevante em pleno século XXI. Dois tipos de Escolas Dominicais co-existem atualmente: A Escola Dominical convencional e a Nova Escola Dominical.Observemos as principais diferenças entre esses dois tipos de escolas:
- ED CONVENCIONAL: O Dirigente/Superintendente decide só. Prevalece o autoritarismo.
- A NOVA ED: As decisões são feitas em conjunto com membros da liderança, corpo docente e discente.
- ED CONVENCIONAL: Só funciona aos Domingos pela manhã.
- A NOVA ED: Ajusta-se às peculiaridades de cada região e localidade.
- ED CONVENCIONAL: Não se admite outro espaço para funcionamento, a não ser o templo.
- A NOVA ED: Admite outras possibilidades de espaços físicos (escolas, associações, etc.) mais adequados.
- ED CONVENCIONAL: Se conforma com dirigentes e professores ultrapassados, descontextualizados e fossilizados.
- A NOVA ED: Investe e incentiva a formação inicial e continuada da liderança e dos professores.
- ED CONVENCIONAL: Os professores são os donos da verdade e detentores do conhecimento.
- A NOVA ED: Professores e alunos participam na busca pela verdade e na construção do conhecimento.
- ED CONVENCIONAL: Os alunos aprendem em silêncio.
- A NOVA ED: Os alunos participam ativamente das aulas.
- ED CONVENCIONAL: A tradição e os costumes estão acima da Bíblia.
- A NOVA ED: A Bíblia é a palavra final acerca de tradição e costumes.
- ED CONVENCIONAL: É mera reprodutora de doutrinas, conhecimentos, saberes e informações.
- A NOVA ED: Adota e promove uma atitute crítico-reflexiva sobre doutrinas, conhecimentos, saberes e informações.
- ED CONVENCIONAL: O relacionamento entre professor e aluno é formal.
- A NOVA ED: A amizade e a afetivadade na relação entre professor e aluno é valorizada.
- ED CONVENCIONAL: Preocupa-se apenas com a vida dos alunos em sala de aula.
- A NOVA ED: Procura conhecer e preocupa-se com a realidade familiar, social, etc. de seus alunos.
- ED CONVENCIONAL: Trata as crianças como pequenos adultos.
- A NOVA ED: As características de cada faixa etária infantil são conhecidas e respeitadas pelos professores.
- ED CONVENCIONAL: Exige dos alunos sem considerar as suas diferenças pessoais.
- A NOVA ED: Respeita plenamente as diferenças de assimilação de conteúdos entre os alunos.
- ED CONVENCIONAL: As aulas e demais atividades pedagógicas são improvisadas.
- A NOVA ED: Todas atividades são devidamente planejadas.
- ED CONVENCIONAL: Utiliza de forma demasiada e cansativa o método de ensino expositivo.
- A NOVA ED: Os professores diversificam os métodos de ensino e dinamizam as aulas.
- ED CONVENCIONAL: Negligencia a utilização dos recursos didáticos.
- A NOVA ED: Valoriza e incentiva a utilização dos recursos didáticos.
- ED CONVENCIONAL: Enfatiza a quantidade de saberes adquiridos pelos alunos.
- A NOVA ED: O progresso integral do alunos é enfatizado (saber, ser, fazer, relacionar-se)
- ED CONVENCIONAL: Ignora as Novas Tecnologias de Informação (NTI)
- A NOVA ED: Promove um maior contato de dirigentes, professores e alunos com as NTI (estimulam o acesso e a criação de sites, blogs, orkut, MSN , etc) sempre buscando enriquecer o processo ensino-aprendizagem.
- ED CONVENCIONAL: Coloca toda responsabilidade do processo ensino-aprendizagem no Espírito Santo.
- A NOVA ED: Entende que o Espírito Santo é um ajudador no processo ensino-aprendizagem.
- ED CONVENCIONAL: Está com os dias contados.
- A NOVA ED: Encontra-se em pleno crescimento.
Qual o perfil da Escola Dominical que você dirige, ensina ou estuda? É do tipo "convencional", ou está adequada às demandas e desafios dos novos tempos?
Blog do Pr. Altair Germano
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
A FAMÍLIA CRISTÃ, A ESCOLA E A EDUCAÇÃO DOS FILHOS
Desde as sociedades tribais pré-históricas, a família exerce um papel fundamental na educação dos filhos. A ausência do Estado, das classes, do comércio e da escrita, dispensava a existência de escolas. As crianças aprendiam com os adultos, em especial a família, questões que envolviam os valores espirituais e morais, assim como atividades práticas para a sua sobrevivência (trabalhos manuais, caça, pesca etc.).Numa perspectiva bíblica judaico-cristã, observamos este tipo de educação nos seguintes textos:
"Porque eu o tenho escolhido, a fim de que ele ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para praticarem retidão e justiça; a fim de que o Senhor faça vir sobre Abraão o que a respeito dele tem falado." (Gn 18.19)
"E acontecerá que, quando vossos filhos vos disserem: Que culto é este? Então direis: Este é o sacrifício da páscoa ao Senhor, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-se, e adorou." (Êx 12.26-27)
"E naquele mesmo dia farás saber a teu filho, dizendo: Isto é pelo que o Senhor me tem feito, quando eu saí do Egito. E te será por sinal sobre tua mão e por lembrança entre teus olhos, para que a lei do Senhor esteja em tua boca; porquanto com mão forte o Senhor te tirou do Egito." (Êx 13.8-9)
"E quando teu filho te perguntar no futuro, dizendo: Que é isto? Dir-lhe-ás: O Senhor nos tirou com mão forte do Egito, da casa da servidão." (Êx 13.14)
"E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas." (Dt 6.6-9)
"Quando teu filho te perguntar no futuro, dizendo: Que significam os testemunhos, e estatutos e juízos que o Senhor nosso Deus vos ordenou? Então dirás a teu filho: Éramos servos de Faraó no Egito; porém o Senhor, com mão forte, nos tirou do Egito;" (Dt 6.20-21)
"Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por frontais entre os vossos olhos. E ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te; E escreve-as nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas; Para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o Senhor jurou a vossos pais dar-lhes, como os dias dos céus sobre a terra." (Dt 11.18-21)
"E falou aos filhos de Israel, dizendo: Quando no futuro vossos filhos perguntarem a seus pais, dizendo: Que significam estas pedras? Fareis saber a vossos filhos, dizendo: Israel passou em seco este Jordão. Porque o Senhor vosso Deus fez secar as águas do Jordão diante de vós, até que passásseis, como o Senhor vosso Deus fez ao Mar Vermelho que fez secar perante nós, até que passássemos." (Js 4.21-23)
Percebe-se nestes textos do Antigo Testamento, a participação e a importância da família na preservação dos valores espirituais e morais do povo judeu.
A figura dos agentes especialmente destinados para a tarefa de ensinar surge com a instituição do sacerdócio;
"E falou o Senhor a Arão, dizendo: Não bebereis vinho nem bebida forte, nem tu nem teus filhos contigo, quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações; E para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo, E para ensinar aos filhos de Israel todos os estatutos que o Senhor lhes tem falado por meio de Moisés." (Lv 10.8-11)
"Então o rei da Assíria mandou dizer: Levai ali um dos sacerdotes que transportastes de lá para que vá e habite ali, e lhes ensine a lei do deus da terra." (2 Rs 17.27)
"No terceiro ano do seu reinado enviou ele os seus príncipes, Bene-Hail, Obadias, Zacarias, Netanel e Micaías, para ensinarem nas cidades de Judá; e com eles os levitas Semaías, Netanias, Zebadias, Asael, Semiramote, Jônatas, Adonias, Tobias e Tobadonias e, com estes levitas, os sacerdotes Elisama e Jeorão. E ensinaram em Judá, levando consigo o livro da lei do Senhor; foram por todas as cidades de Judá, ensinando entre o povo." (2 Cr 17.7-9)
"E disse aos levitas que ensinavam a todo o Israel e estavam consagrados ao Senhor: Ponde a arca sagrada na casa que edificou Salomão, filho de Davi, rei de Israel; não tereis mais esta carga aos ombros; agora servi ao Senhor vosso Deus, e ao seu povo Israel." (2 Cr 35.3)
Posteriormente, os profetas assumem também essa tarefa;
"Então enviou Saul mensageiros para prenderem a Davi; quando eles viram a congregação de profetas profetizando, e Samuel a presidi-los, o Espírito de Deus veio sobre os mensageiros de Saul, e também eles profetizaram." (1 Sm 19.20)
"E foram cinqüenta homens dentre os filhos (discípulos) dos profetas, e pararam defronte deles, de longe; e eles dois pararam junto ao Jordão." (2 Rs 2.7)
"Os filhos dos profetas disseram a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos diante da tua face é estreito demais para nós." (2 Rs 6.1)
Durante e após o período do cativeiro na Babilônia, surge a figura do escriba, uma classe de mestres especializados, que copiavam, interpretavam e ensinavam a Lei;
"este Esdras subiu de Babilônia. E ele era escriba hábil na lei de Moisés, que o Senhor Deus de Israel tinha dado; e segundo a mão de Senhor seu Deus, que estava sobre ele, o rei lhe deu tudo quanto lhe pedira. [...] Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar e cumprir a lei do Senhor, e para ensinar em Israel os seus estatutos e as suas ordenanças." (Ed 7.6, 10)
Apesar do surgimento destes "educadores especializados", a participação da família na educação dos filhos não foi abandonada. No livro de provérbios, escrito entre 950-700 a.C., encontramos as seguintes exortações;
"Ouvi, filhos, a instrução do pai, e estai atentos para conhecerdes o entendimento. Pois eu vos dou boa doutrina; não abandoneis o meu ensino. Quando eu era filho aos pés de meu, pai, tenro e único em estima diante de minha mãe, ele me ensinava, e me dizia: Retenha o teu coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos, e vive." (Pv 4.1-4)
"Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele." (Pv 22.6)
Como já citamos, com o advento das grandes cidades, da escrita, das transformações técnicas, da produção excedente, da comercialização, dos inovadores pensamentos sobre política e democracia, a educação e a escola ganharam um novo formato. É no período da Grécia clássica que acontece algumas das grandes revoluções pedagógica. A pólis, no intuito de formar os seus cidadãos, criam escolas especializadas para atender as suas demandas. No geral, a criança permanece em casa, com a família, até os sete anos. Após esse período, o Estado assume a sua educação (preparo físico, educação musical, formação cívica e militar, leitura e escrita, gramática, retórica etc.).
Podemos observar, que apesar destas mudanças significativas, de onde surgem as nossas escolas modernas e as teorias pedagógicas, a Bíblia nos relata que a participação da família, em especial na formação dos valores espirituais e morais de seus filhos, ainda permanece;
"trazendo à memória a fé não fingida que há em ti, a qual habitou primeiro em tua avó Loide, e em tua mãe Eunice e estou certo de que também habita em ti." (2 Tm 1.5)
"Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus." (2 Tm 3.14-15)
Como anda nos dias atuais a relação entre a escola, com os seus agentes especializados na arte de educar, e a família cristã? Qual o papel da escola e da família na educação e formação integral de seus filhos? A falta de repostas e confusões feitas sobre essas questões acabam por promover sérios problemas e distúrbios em nossa sociedade.
Há um verdadeiro jogo de "empurra", onde família e escola tentam transferir as responsabilidades da educação. Trocas de acusações tornam-se cada vez mais comuns. A escola culpa a família pelo desinteresse, insubmissão e não-aprendizado do aluno, e a família culpa a escola por tais problemas.
A escola afirma que é lugar apenas da aquisição de saberes diversos, transferindo a responsabilidade da disciplina, formação ética e moral dos alunos para a família. O pior, é que a família cristã, além de não estar envolvida no acompanhamento da aquisição destes saberes oferecidos pela escola, está também negligenciando a sua importância na formação dos valores espirituais, éticos e morais de seus filhos, querendo transferir para a escola (e para a igreja) tais papéis.
Família e escola não podem estar se digladiando, antes, precisam cooperar entre si no processo educativo e formador de cidadãos. Para que isso aconteça, uma integração maior precisa acontecer. A escola precisa assumir o seu papel de cooperadora na formação moral (o papel de formadora espiritual foi infelizmente abolido nesta sociedade pós-cristã e pós-moderna) e conhecer mais a vida familiar de seus alunos, enquanto a família precisa participar mais ativamente e efetivamente na vida escolar de seus filhos, sendo atores coadjuvantes dos professores no processo de aquisição de saberes.
Nenhuma outra instituição social é mais influente na formação do caráter, na educação, na disseminação de valores éticos, morais e espirituais do que a família.
De que maneira a família cristã pode cumprir na atualidade, o seu importante e fundamental papel na educação integral de seus filhos amados?
1. Mantendo, aplicando e ensinando os princípios e orientações bíblicas quanto aos valores éticos, morais e espirituais judaico-cristão;
2. Cooperando com a escola através das seguintes ações, prescritas na Cartilha "ACOMPANHEM A VIDA ESCOLAR DOS SEUS FILHOS":
-Matriculando seus filhos na educação infantil. Quanto mais cedo eles começarem a estudar, mais sucesso terão em sua vida escolar;
-Incentivando seus filhos a continuar estudando. Mostrando que, quanto mais eles estudarem, terão mais oportunidades profissionais e pessoais;
-Orientando seus filhos a cuidarem do material escolar( livros, cadernos, lápis, etc) e uniforme.
-Visitando a escola de seus filhos sempre que puderem;
-Conversando com os professores;
-Conversando com os seus filhos sobre a escola, os professores, os amigos, as tarefas, os conteúdos;
-Incentivando o hábito de leitura;
-Ensinando-os a dividirem bem o tempo para o lazer e o estudo.
Juntas, a família cristã e a escola serão instrumentos poderosíssimos para a influência e transformação de vidas, nessa caótica e transtornada sociedade pós-cristã e pós moderna.
"A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho." (Art. 205 da Constituição Federal/1988)
"A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho." (Lei 9.394/96, Art. 2º)
BIBLIOGRAFIA
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da educação. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2005.
ELLISEN, Stanley A. Conheça melhor o Antigo Testamento: esboços e gráficos interpretativos. São Paulo: Vida, 1991.
GEORGE, Sherron K. Igreja ensinadora. Campinas-SP: Luz para o Caminho, 1993.
PFEIFEFER, Charles F.; VOS, Howard F.; REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
JAEGER, Werner. Paidéia: a formação do homem grego. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
MARROU, Henri-Irénée. História da educação na antigüidade. São Paulo: EPU, 1990.
TEIXEIRA, Evilázio F. Borges. A educação do homem segundo platão. São Paulo: Paulus, 1999.
Blog do Pr. Altair Germano
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
O que não pode faltar - Educação Infantil
Para que as turmas de creche e pré-escola se desenvolvam plenamente, é preciso conhecer as características de cada faixa etária e garantir que algumas experiências essenciais façam parte do planejamento. Saiba como trabalhá-las e por que são tão importantes.
Beatriz Santomauro, de Vitória, ES, e Luiza Andrade, colaboraram Bianca Bibiano; Denise Pellegrini, de Curitiba, PR; Julia Browne, de Belo Horizonte, MG; Marina Simeoni, de Poços de Caldas, MG; Thais Gurgel, de Sobral, CE; e Vilmar Oliveira, de São José dos Campos, SP
Até há pouco tempo, os pequenos das creches passavam o dia alimentados e limpos, cada um seguro em seu berço. E só. Já aos maiores, da pré-escola, eram propostas atividades, como colar bolinhas de papel em figuras mimeografadas. Hoje já não se admite uma Educação Infantil nesses moldes e o motivo é simples: existem referências de práticas pedagógicas que respeitam as características das faixas etárias e, assim, promovem o desenvolvimento das turmas de até 6 anos."É comum encontrarmos alguns modelos mais próximos do Ensino Fundamental adaptados para as crianças menores ou outros, que subestimam a inteligência e a capacidade delas", afirma Regina Scarpa, coordenadora pedagógica da Fundação Victor Civita (FVC). Essa situação deve - e pode - ser diferente. Para tanto, é necessário que a Educação Infantil seja baseada em uma proposta pedagógica consistente. Além disso, quem leciona nesse nível de ensino precisa ter como parte de sua rotina o planejamento e a avaliação das atividades. Tudo sempre levando em consideração a organização do tempo, do espaço e dos materiais em função das características da turma.
Muitas das condições para um trabalho desse tipo são dadas pelos estudos sobre o desenvolvimento infantil atualmente disponíveis (leia entrevista com a psicopedagoga Denise Argolo Estill no quadro da página 51 e com o psicólogo Lino de Macedo no da 55). Existem boas práticas que respeitam o modo de ser e de pensar específico de cada idade. "Forçar os bebês a ficar sentados e quietos o tempo todo é inadequado, pois está provado que usar o corpo em movimento é um dos meios que eles têm de aprender", afirma Cisele Ortiz, coordenadora do Instituto Avisa Lá, em São Paulo. Da mesma forma, pedir que uma classe de pré-escola apenas pinte ou complete uma figura pronta, por exemplo, não leva a nada. Hoje já se sabe que é preciso desenvolver as diversas linguagens da criança para que se ampliem suas capacidades cognitivas, e o desenho é uma delas.
Esses conhecimentos vêm sendo divulgados desde que a Educação Infantil começou a ganhar importância, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, que considerou essa etapa do ensino parte da Educação Básica. Mas falta muito para que esses saberes sejam incorporados à rotina de todas as escolas e, mais ainda, para que toda criança de até 6 anos tenha garantida sua vaga.
O Plano Nacional de Educação tem como meta para o início de 2011 o atendimento de 50% dos pequenos de até 3 anos e de 80% para a faixa de 4 a 6. "Por enquanto, não há planos de universalizar a Educação Infantil ou um grande aumento de vagas. O maior desafio atualmente é buscar a igualdade de estrutura e qualidade oferecidas", diz Rita Coelho, coordenadora geral da Educação Infantil do Ministério da Educação. Nesse sentido, estão sendo preparados para 2009 os Indicadores de Qualidade da Educação Infantil, documento para autoavaliação de cada instituição, que trará referências sobre o que é necessário ser oferecido nesse nível.
NOVA ESCOLA conversou com 12 especialistas e listou dez experiências a serem propostas diariamente para que as turmas de creche e pré-escola se desenvolvam. Quatro delas - brincar, linguagem oral, movimento e arte - são indicadas para as duas faixas etárias, porém com enfoques diferentes. O início do trabalho com identidade e autonomia foi ressaltado como fundamental com as classes de até 3 anos e orienta as atividades pedagógicas e de cuidados. Leitura e escrita ganham destaque com os maiores.
EDUCAÇÃO INFANTIL - CRECHE
Brincar
Por que trabalhar Embora a brincadeira seja uma atividade livre e espontânea, ela não é natural, mas uma criação da cultura. O aprendizado dela se dá por meio das interações e do convívio com os outros. Por isso, a importância de prever muito tempo e espaço para ela. "Temos a capacidade de desenvolver a imaginação - e é essa habilidade que o brincar traz", diz Zilma de Oliveira, da Universidade de São Paulo (USP).
Alguns brinquedos também fazem sucesso nessa fase. Os mais adequados são os de peças de montar, encaixar, jogar e empilhar, além dos que fazem barulho. É preciso ter cuidado com a segurança e só usar objetos maiores do que o tamanho da boca do bebê quando aberta.
Para um trabalho eficiente, uma boa estrutura é essencial. Isso inclui ter material suficiente para que todos consigam compartilhar e um bom espaço de criação. "Os ambientes devem ser convidativos e contextualizados com a história que se quer construir", diz Ana Paula. Uma área ao ar livre, mesmo que com poucas árvores, vira uma grande floresta. Uma sala bem cuidada, rica em cores e com variedade de brinquedos e estímulos igualmente possibilita momentos criativos, prazerosos e produtivos.
Linguagem oral
Por que trabalhar Quando o bebê se expressa com gritos ou gestos, ele tem uma intenção. "Mesmo os que têm pouco vocabulário ou que ainda não falam com desenvoltura estão participando da atividade comunicativa de forma competente e correta", diz Maria Virgínia Gastaldi, Editora de Educação Infantil da Editora Moderna. Para que a linguagem oral se desenvolva, cabe ao professor reconhecer a intenção comunicativa dos gestos e balbucios dos bebês, respondendo a eles, e promover a interação no grupo.
As rodas de conversa, feitas diariamente, são uma oportunidade de praticar a fala, comentar preferências próprias e trocar informações sobre a família. Nessa situação, há a interação com os colegas e aprende-se a escutar, discutir regras e argumentar. Quanto menor for a faixa etária do grupo, mais necessária será a interferência do educador como propositor e dinamizador dos diálogos.
Esta creche faz Todos os dias, a turma de 2 anos da EMEB Valderez Avelino de Souza, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, participa de rodas de conversa. Nessa fase, acontecem relatos de experiências pessoais no bate-papo, além da invenção de outros elementos. Foi o que aconteceu no dia em que um dos pequenos contou que tinha visto um tubarão. "Outro completou dizendo que aquilo tinha sido na praia e um terceiro falou que nadava como o bicho", conta a coordenadora pedagógica Pétria Ângela de Jesus Rodrigues Ruy dos Santos. A professora foi puxando o assunto e encaminhando a conversa. Um garoto, que até então estava quieto, saiu-se com esta: "Meu pai pescou um tubarão. Ele era enorme. Professora, quer ir pescar com meu pai?" Sabendo que é muito comum nessa fase mesclar informações reais com outras tiradas da imaginação, ela, é claro, aceitou o convite.
Movimento
Por que trabalhar O movimento é a linguagem dos pequenos que ainda não falam e continua sendo a maneira de se expressar daqueles que já se comunicam com palavras. "O pensamento é simultâneo ao movimento e, por isso, não se pede que eles fiquem sentados ou quietos por muito tempo. Evitar que se mexam é o mesmo que impedi-los de pensar", explica Maria Paula Zurawski, assessora de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Portanto, quanto mais o professor incentivar o movimento, maior será o aprendizado de cada um sobre si mesmo e o desenvolvimento da capacidade de expressão.
Os espaços da creche devem ser desafiadores e, ao mesmo tempo, seguros. São ambientes propícios para as atividades desse tipo tanto o pátio como a sala. Ali, são colocados bancos ou caixas que sirvam de apoio para os que estão começando a andar e ficam distribuídos brinquedos de equilíbrio. Enquanto a turma se mexe para lá e para cá, não se perde um lance. Um educador atento sabe quando um suspiro revela cansaço ou uma careta demonstra algum desagrado.
Arte
Por que trabalhar A música e as artes visuais são dois meios de os pequenos entrarem em contato com o que ainda não conhecem. Nessa fase, as linguagens se misturam e um mesmo objeto, como um giz de cera, pode ser usado para desenhar ou batucar. "Aqueles que têm oportunidade de participar de atividades nessas áreas certamente desenvolvem mais a capacidade cognitiva", diz Silvana Augusto, formadora do Instituto Avisa Lá.
Da mesma maneira, o ideal são atividades de artes visuais diversificadas. Uma boa prática inclui desenhos - e não o preenchimento de modelos prontos -, pinturas ou esculturas usando diversos materiais e possibilitar o contato com novos recursos visuais para ampliar as referências artísticas. As produções da classe ficam à disposição para que sejam observadas e comentadas e para que cada um reconheça o que é de sua autoria.
Esta creche faz No EMI Josefina Cipre Russo, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, artes visuais e música fazem parte do cotidiano dos pequenos de 3 anos. Eles criam instrumentos com materiais reciclados e acompanham as músicas dançando e cantando. No dia-a-dia, eles desenham com giz, lápis, guache e aquarela, fazem esculturas e mexem com massinha e tintas comestíveis. Assim, a turma sente cheiros e texturas e aprecia cores diferentes. "As tintas são caseiras e dá para limpá-las facilmente. Colocar na boca ou deixar cair na roupa não é problema", diz a diretora, Eliane Migliorini.
Identidade e autonomia
Por que trabalhar O bebê nasce em uma situação de total dependência e, pouco a pouco, necessita se tornar autônomo. "Enquanto adquirem condições para realizar ações, as crianças começam a saber das conseqüências de suas escolhas", explica Beatriz Ferraz, coordenadora pedagógica do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária, em São Paulo. Autonomia e identidade se desenvolvem simultaneamente e, mesmo num ambiente coletivo, é preciso dar atenção individualizada às crianças.
A organização do ambiente em cantos de atividades é outro meio de favorecer o exercício de escolha, já que cada um define onde brincar, com quem e por quanto tempo. Para ajudar na construção da identidade, cabe ao educador chamar cada um pelo nome e ressaltar a observação dos aspectos físicos individuais. "Colocar grandes espelhos nas salas, ter fotos de cada um junto dos cabides em que penduram as mochilas, identificar as pastas com o nome e um desenho, por exemplo, são ótimas maneiras de estimular a atenção para as próprias características e fazê-los perceber a diferença e semelhança em relação aos colegas", diz Cisele.
3 perguntas
Denise Argolo Estill
O que distingue os três primeiros anos de vida?
Esse é o período sensório-motor, caracterizado pela inteligência prática. O mundo é algo a experimentar e conhecer por meio dos órgãos dos sentidos e das ações corporais.
Como a criança aprende?
Presa à experiência imediata, ela necessita da presença dos objetos concretos. Seus esquemas de ação são olhar, agarrar, ouvir, alcançar com a boca ou sentir com a pele.
Quais os procedimentos para potencializar o desenvolvimento nessa faixa etária?
A primeira coisa a fazer é incentivar o uso da ferramenta mais poderosa, que é o corpo. Por meio dele, a criança entra em contato com texturas, temperaturas e gostos. Outras ações são estimular a linguagem verbal - por meio de histórias e músicas - e a imitação, entendendo a necessidade de reproduzir gestos e falas e procurando valorizar a expressão individual de cada um.
Brincar
Por que trabalhar Essa é uma fase de ampliação do universo de informações: a mamãe é vendedora, o papai é motorista, o herói preferido voa, o livro de histórias fala de uma princesa bonita e corajosa. O meio de processar e assimilar tantos assuntos - enfim, entender o mundo - é brincar de faz-de-conta. "A complexidade da fantasia criada depende das experiências já vividas. Por isso, é fundamental oferecer ambientes ricos em possibilidades", afirma Zilma, da USP.
A meninada vai se tornando capaz de interagir com as brincadeiras por um tempo maior e considerar que os outros podem participar também. "No faz-de-conta, acontece algo íntimo que não se deve atropelar. O professor contribui com um gesto, uma palavra ou um brinquedo, mas a turma é livre para aceitar ou não", explica Zilma.
Uma boa estratégia para enriquecer o brincar é atrair a garotada para espaços diferenciados, como o canto da casinha, do salão de maquiagem, da mecânica ou da biblioteca. O cenário, por si só, avisa a proposta da brincadeira e pressupõe papéis. Depois, com o tempo, o grupo mesmo produzirá outros.
Esta pré-escola faz Na CMEI Patrícia Galvão, em Guarulhos, na Grande São Paulo, o brincar é encarado como uma situação cotidiana e um direito das crianças. Em todas as salas ficam fantoches, fantasias e cenários para as atividades simbólicas, bastante apreciadas. Quando enjoam, os pequenos vão à brinquedoteca e os trocam por outros. Não são raras as vezes em que a turma de 4 anos se empolga com um livro lido em sala, corre para o canto em que ficam as fantasias e assume o papel dos personagens. Segundo a diretora Djenane Martins Oliveira, para garantir e melhorar as possibilidades de experimentação lúdica, os pequenos têm acesso diário a brinquedos de variados materiais, como tecido, plástico, madeira e espuma. Há também aqueles que não parecem, mas são brinquedos também, como pedrinhas, grama e areia. "Sempre temos à disposição das crianças caixas de papelão, que elas usam para produzir objetos que são incluídos nas atividades por elas mesmas."
Linguagem oral
Por que trabalhar No início da pré-escola, coloca-se um importante desafio em linguagem oral: não apenas falar, mas antecipar e planejar o que se quer dizer. "Para que isso aconteça, ou seja, para que a oralidade seja usada cada vez mais e de melhor forma, é preciso trabalhá-la diariamente com base em diferentes temas, contextos e interlocutores", diz Maria Virgínia, da Editora Moderna.
Os momentos são divididos em dois tipos: formais e informais. Os informais são, por exemplo, as rodas de conversa. Nelas, o professor faz uma proposição, por exemplo, a respeito de uma notícia da comunidade ou de algo que será feito depois, como uma receita culinária. Nesse momento, cada um ouve o que os outros têm a dizer, coloca sua opinião e inicia os próprios relatos.
Situações formais são aquelas em que as crianças se dirigem a outros interlocutores que não os próprios colegas de classe, como outra turma, para quem vão contar uma história, ou um adulto a ser entrevistado. Assim, ao longo de toda a pré-escola, são desenvolvidas e aperfeiçoadas competências como a de recontar histórias e elaborar perguntas, declamar poesias e relatar acontecimentos do próprio cotidiano ou de outras pessoas. De acordo com Maria Virgínia, "o resultado é que os pequenos aprendem linguagem e com a linguagem".
Essa competência também é potencializada por meio das brincadeiras com as palavras presentes na tradição oral, nos textos poéticos e nas parlendas, por exemplo - que já contribuem para o aumento do repertório verbal desde a creche.
Esta pré-escola faz São diversas as experiências de desenvolvimento da linguagem oral na UMEI Mangueiras, em Belo Horizonte. Lá, as rodas de conversa sobre o planejamento do dia abrem as atividades, mas outros temas também fazem parte do bate-papo. Na sala ou no pátio, elas recontam histórias e apresentam músicas e dramatizações. "Os mais velhos ajudam no desenvolvimento da linguagem dos menores durante atividades corporais. Eles criam canções e gritos de guerra e os pequenos se juntam a eles, cantando também", conta a vice-diretora, Mônica Freitas Mol de Andrade.
Movimento
Por que trabalhar Na pré-escola, a criança já tem desenvoltura para se comunicar verbalmente. Mesmo assim, o movimento ainda é um meio de expressar o que ela quer. Por isso, eles continuam a ser valorizados na pré-escola. Nessa fase, ela se torna mais ciente de si, conhece mais o corpo e ganha competência para atuar no mundo. "Por isso, é preciso evitar a tendência de deixar atividades desse tipo de lado com turmas a partir dos 4 anos", diz Maria Paula, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.
Em especial entre os maiores, de 5 e 6 anos, a capacidade de planejar as ações de movimento se amplia. Por isso, atividades ao ar livre, no parque, se tornam mais ricas. Para se divertir num escorregador, as crianças conseguem observar os degraus onde pisar e calcular o que fazer para chegar ao topo e depois deslizar.
Esta pré-escola faz A professora Magda Carvalho Aranda, da CEI Maria do Rosário Bastos, em Poços de Caldas, a 465 quilômetros de Belo Horizonte, propõe jogos corporais para as crianças de 5 anos. Em um deles, elas batem palmas, levam as mãos aos pés e também à cabeça. Após uma seqüência simples, a turma combina movimentos mais elaborados, como levantar a mão esquerda e se manter apenas sobre o pé direito, favorecendo o equilíbrio. A mesma atividade pode se tornar mais divertida se acompanhada de música com ritmos cada vez mais rápidos. Outra brincadeira que os pequenos curtem é a da maria-fumaça. "Conforme o ritmo de um chocalho acelera, o corpo entra no embalo, com movimentos de braços e pernas", explica Magda.
Arte
Por que trabalhar As experiências desenvolvidas em música e artes plásticas, de acordo com Silvana, do Avisa Lá, têm papel primordial na formação do pensamento simbólico. "Ambas exercem forte influência no desenvolvimento da criatividade e da imaginação." Nessa fase, as duas linguagens já são trabalhadas de forma separada.
Em artes visuais, é importante apresentar obras de pintores famosos - para ampliar o repertório e trazer riqueza ao trabalho dos pequenos -, mas não como pretexto para propor cópias. Nessa fase, o ideal é desenvolver cada vez mais o desenho e a pintura, em atividades diárias. Não é necessário usar grande variedade de materiais.
Esta pré-escola faz Nas salas de préescola do CMEI Dr. Arnaldo Carnasciali, em Curitiba, sempre há nas paredes uma pintura, gravura ou fotografia para ampliar o repertório dos pequenos. Durante um projeto sobre identidade, as turmas fizeram retratos. Olhando no espelho, cada um produziu o seu, usando lã e barbante para compor os cabelos, por exemplo. Todos desenharam também o amigo, aprimorando a percepção sobre o outro.
A experimentação musical inclui a exploração de estilos diferentes, como cantigas de roda, músicas clássicas e canções do folclore brasileiro. "Essas situações ampliam o repertório, favorecem a concentração e permitem o desenvolvimento de habilidades como o ritmo", diz a diretora, Vanessa de Sousa Martinez.
Leitura e escrita
Por que trabalhar É um adulto leitor que mostra às crianças o significado da escrita que está nos livros. Ao escutar uma história, as turmas entram na narrativa e compartilham as sensações dos personagens. "É hora de ampliar o repertório e dar maior organização ao pensamento", diz Débora Rana, coordenadora pedagógica de Educação Infantil da Escola Projeto Vida, na capital paulista.
A leitura diária de diferentes gêneros pelo professor aumenta cada vez mais a curiosidade e o conhecimento sobre a linguagem escrita. "Aos 4 anos, já é possível recontar textos e aos 5 produzir as próprias histórias, ditando o texto a um escriba", afirma Débora.
Esta pré-escola faz Na Creche Conveniada Lírios do Campo, em São José dos Campos, a 97 quilômetros de São Paulo, a pré-escola tem acesso a textos de diferentes gêneros, desenvolve atividades de reconto de histórias, leva livros para casa nos fins de semana, cria poesias e é estimulada a escrever. Mesmo durante as brincadeiras, surgem oportunidades de enriquecer a escrita. "Quando inauguramos o canto do cabeleireiro, visitamos um salão de beleza. Depois, foi produzido um texto sobre o encontro com os profissionais e elaborada uma tabela de preços", relata a coordenadora pedagógica Ana Lúcia Rodrigues da Silva Ferreira.
3 perguntas
Lino de Macedo
Como se caracteriza o pensamento da criança pré-escolar?
Ele é principalmente substitutivo e imitativo. Substitutivo porque ela descobre que objetos, pessoas e ações podem ser trocados ou evocados por outros. Imitativo porque ela entra no universo da ficção: imagina e faz correspondências.
De que maneira o faz-de-conta desenvolve as linguagens?
No faz-de-conta, a criança realiza um esforço de tradução. Ela não é velha, mas representa esse papel no jogo simbólico. Também não é um bicho, mas pode imitá-lo. Esse fingimento aumenta o repertório das diversas linguagens, como o desenho, a fala, a música e a dança.
Como aproveitar a capacidade de representação?
A criança descobre simbolicamente a importância do adulto em sua vida e as diferenças entre ambos. Isso ocorre, por exemplo, quando ela faz de conta que é mãe e repreende o fi lho. Cabe ao professor, portanto, possibilitar que ela entenda essa assimetria e, ainda que intuitivamente, o valor do adulto.
Revista Escola
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
"Ensina a criança no caminho em que deve andar..."

"Ensina a criança no caminho em que deve andar e ainda quando for velho não se desviará dele" Provérbios 22.6
A resposta é: ame-as, e você estará apto a ser um bom mestre!
Se você tem amor pelas crianças, saberá usar sua criatividade, e realizar atividades condizentes com a idade delas.
Procure sempre ser alegre nas aulas e tratar a elas com carinho, respeito e consideração. Elas vão retribuir!
Utilize recursos didáticos:
1. Coros relacionados com o ensino bíblico, de forma a fixar a lição.
2. Atividades simples (como dobraduras, pintura, pequenos exercícios) – você obtém algumas gravuras e atividades em EBD Online
3. Ensine oração para as crianças (você fala, elas repetem).
4. Cartazes e outros recursos visuais.
5. Memorização do versículo bíblico.
Quanto ao que ensinar – ensine a Bíblia!
Observo que não sou contra contar estórias para crianças na EBD (especialmente os pequeninos – abaixo de 5 anos), mas o ideal é relatar e ensinar sempre assuntos diretamente relacionados à história bíblica.
Comece ensinando Gênesis (a criação, a queda, etc.), seguindo uma seqüência lógica. Em datas especiais (Natal, Páscoa, etc.) ensine a relação do evento com a Bíblia.
Uma dica preciosa: não se preocupe em ensinar demais, fatos, números, detalhes, etc. Ensine objetivamente, uma coisa de cada vez, reforçando o tema.
Ore, pedindo sabedoria no ensino. Ame seus alunos, crie um ambiente propício para o aprendizado na classe e você será um (a) bom (a) professor (a)!
Texto: Júlio César Zanluca
Site: EBD Online
Blogado do Raiz de Davi
Frases ...
“Os problemas significativos que enfrentamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando os criamos.” Albert Einstein
“A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.” Albert Einstein
“Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto.” Albert Einstein
“Os analfabetos do próximo século não são aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que se recusam a aprender, reaprender e voltar a aprender.” Alvin Tofler
domingo, 11 de maio de 2008
A IMPORTÂNCIA DO PLANO DE AULA NA ESCOLA DOMINICAL
“Uma previsão bem-feita do que será realizado em classe melhora muito o aprendizado dos alunos e aprimora a sua prática pedagógica” (Márcio Ferrari)Por mais experiente que o professor seja, ele não deverá entrar em classe sem antes planejar a aula. Por mais formal que a elaboração de um plano de aula pareça, ele não dispensa a oração nem a direção do Espírito em sua elaboração. Agindo assim, tem-se uma garantia de que as aulas vão ganhar qualidade e eficiência.
1. O que é um Plano de Aula
O plano de aula pode ser definido como a previsão dos conteúdos e atividades de uma ou de várias aulas que compõem uma unidade de estudo (trimestres, no caso das lições bíblicas). Dessa forma, “ele limita-se à previsão do desenvolvimento a ser dado ao conteúdo da matéria (lição) e as atividades de ensino-aprendizagem proposta de acordo com os objetivos no âmbito de cada aula”. (GIL, 2007, p. 40)
2. Elaboração do Plano de Aula
Não existe um padrão único na elaboração de um plano de aula. É preciso, no entanto, que um mínimo de coerência seja percebido na seqüência dos elementos a serem considerados no processo ensino-aprendizagem.
Buscando uma forma simples e funcional, adotaremos os componentes abaixo, como partes integrantes do plano de aula a ser implementado nas Escolas Bíblicas Dominicais da AD em Abreu e Lima. São eles:
a) Identificação do Plano. Nesta parte são indicados os seguintes dados:
NOME DA ESCOLA:
NÚMERO DA CLASSE:
NOME DO PROFESSOR:
TRIMESTRE:
NÚMERO E DATA DA LIÇÃO BÍBLICA:
TEMA DA LIÇÃO BÍBLICA:
b) Objetivos. Os objetivos apontam para o elemento central do plano. Define aonde se quer chegar, o que deseja ser alcançado. Os objetivos devem ser claros e bem definidos. As lições bíblicas de mestre, para facilitar a vida dos professores, trazem os objetivos já definidos, o que não impede que os mesmos possam ser redefinidos, à medida que o professor perceba tal necessidade.
c) Conteúdo. Os conteúdos neste caso, já são previamente estabelecidos, mediante uma análise criteriosa de uma equipe devidamente qualificada, que compõem o setor de educação cristã da CPAD, editora responsável pela publicação e distribuição das lições bíblicas. Envolvem de forma geral, temas relacionados à Bíblia sagrada, que vão incluem o estudo teológico sistemático, introdução e comentários dos livros da Bíblia, Família Cristã, vida cristã e outros.d) Estratégia ou Método de Ensino-Aprendizagem. Estratégias ou métodos são caminhos a serem percorridos pelo professor, visando o alcance dos objetivos estabelecidos. Os procedimentos a serem utilizados para facilitar o fazer pedagógico são aqui esclarecidos. Dentre os vários métodos ou estratégias previstas, podemos citar:
- Aulas expositivas
- Perguntas e Respostas
- Seminários
- Júri Simulado
- Estudo de Caso
- Discussão
Para um melhor conhecimento destes métodos de ensino, sugerimos consultar as referências no final dessa abordagem.
e) Recursos Didáticos. Podem ser definidos como os meios que “servem para estruturar conceitos necessários à compreensão do que está sendo estudado. Isto é, são recursos auxiliares do ensino que facilitam a assimilação da mensagem que se pretende comunicar” (TULER, 2003, p. 39). Existe uma grande variedade destes recursos, que vão desde o quadro branco com marcador, até o uso de computadores e projetores de última geração. A previsão para o uso dos recursos didáticos, precisa estar dentro da realidade e disponibilidade de cada escola e professor.
f) Avaliação. Como podemos verificar a eficácia do processo-ensino aprendizagem, de que formar podemos comprovar se os objetivos foram alcançados? A resposta é: avaliando os alunos. A avaliação pode ser feita através da elaboração dos questionários (o da lição bíblica pode ser utilizado), perguntas diretas, avaliação no final do trimestre, observação etc. No caso do ensino cristão, uma vida transformada, que resulta numa mudança de caráter, comportamento, envolvimento no serviço cristão e maior comunhão com Deus e com o próximo, é sem dúvida alguma, a prova cabal que os objetivos de nossa prática pedagógica foram alcançados.
3. Referências Bibliográficas
GIL, Metodologia do ensino superior. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
GILBERTO, Antonio. Manual da escola bíblica dominical: pela excelência do ensino da palavra de Deus. 17. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.
TULER, Marcos. Manual do professor de escola dominical. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
______. Recursos didáticos para a escola dominical: ferramentas indispensáveis ao ensino bíblico infanto-juvenil. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
quarta-feira, 19 de março de 2008
terça-feira, 11 de março de 2008
sábado, 23 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Fontes de Consulta
O cristão precisa ter sua biblioteca particular. O professor e líder muito mais.
O grande apóstolo Paulo tinha suas fontes de consulta, 2 Tm 4.13. Sempre houve muitos livros no mundo. Salomão no seu tempo já dizia: "Não há limite para fazer livros", Ec 12.12.
Não se trata de ter muitos livros, mas tê-los bons, sadios, abrangendo cultura secular e cultura Bíblica em geral. Livros há que só servem para alimentar o fogo, At 19.19. Aqui estão algumas boas fontes de consulta:
• A Bíblia - Se possível, todas as versões em português e versões em outras línguas.
• Dicionário de Português - E em outras línguas também, principalmente grego e hebraico se conhecer os idiomas, claro.
• Dicionário Bíblico - Dicionário Bíblico On line: http://www.bibliaonline.net/acessar.cgi?pagina=dicionario&lang=BR; Também sugiro o Dicionário Bíblico que se encontra AQUI NO BLOG para download
• Gramática da Língua Portuguesa
• Concordância Bíblica
• Chave Bíblica
• Comentários Bíblicos
• Manuais de Doutrina
• Atlas Bíblico - No portal http://www.biblemap.org/, temos uma excelente ferramenta.
• Didática Aplicada - O tratado de Comenius, Didática Magna, pode ser baixado AQUI no Blog
• Apontamentos individuais (caderno ou fichário) ou ainda em meio digital: Computador, CDs, DVDs, etc.
Observações sobre fontes de consulta:
• Os livros são bons, mas não substitutos da Bíblia.
• Há pessoas que após lerem determinado livro, passam a ser um mero eco ou reflexo dele. Devemos ser cautelosos nisso.
• Há divergência entre autores de livros, dado as diferentes escolas e correntes teológicas; mas na Bíblia não há divergência! Portanto Ela é sempre a autoridade suprema e principal; a pedra de toque.
• Devemos estudar a Bíblia não pela luz deste ou daquele teólogo, mas pela Luz do Espírito de Deus, sentindo sempre Seu toque, direção e prumo.
• Não devemos levar mais tempo com os livros do que com a Bíblia mesma.
• É notável que o Novo Testamento inicia com o vocábulo livro, Mt 1.1. Os que não gostam de livros como se situarão aqui?!
Fonte: Manual da Escola Dominical / CPAD
Autor: Antonio Gilberto, com alterações e sugestões de Márcio Melânia
Porque Ensinar
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
DIDÁTICA MAGNA - COMENIUS
Introdução
Tratado da Arte Universal de Ensinar Tudo a Todos
ou
Processo seguro e excelente de instituir, em todas as comunidades de qualquer Reino cristão, cidades e aldeias, escolas tais que toda a juventude de um e de outro sexo, sem excetuar ninguém em parte alguma, possa ser formada nos estudos, educada nos bons costumes, impregnada de piedade, e, desta maneira, possa ser, nos anos da puberdade, instruída em tudo o que diz respeito à vida presente e à futura, com economia de tempo e de fadiga, com agrado e com solidez.
Onde os fundamentos de todas as coisas que se aconselham são tirados da própria natureza das coisas; a sua verdade é demonstrada com exemplos paralelos das artes mecânicas; o curso dos estudos é distribuído por anos, meses, dias e horas; e, enfim, é indicado um caminho fácil e seguro de pôr estas coisas em prática com bom resultado.
A proa e a popa da nossa Didática será investigar e descobrir o método segundo o qual os professores ensinem menos e os estudantes aprendam mais; nas escolas, haja menos barulho, menos enfado, menos trabalho inútil, e, ao contrário, haja mais recolhimento, mais atrativo e mais sólido progresso; na Cristandade, haja menos trevas, menos confusão, menos dissídios, e mais luz, mais ordem, mais paz e mais tranqüilidade.
Que Deus tenha piedade de nós e nos abençoe! Faça brilhar sobre nós a luz da sua face e tenha piedade de nós! Para que sobre esta terra possamos conhecer o teu caminho, ó Senhor, e a tua ajuda salutar a todas as gentes (Salmo 66, 1-2).
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