terça-feira, 21 de julho de 2015

A criança tímida pode ser tudo, menos um problema de indisciplina. Na verdade, ela é exatamente o oposto.

Enquanto muitos de seus colegas trabalham duro para conseguir atenção, às vezes de forma turbulenta, a criança tímida batalha igualmente, no sentido de evitar o tumulto ou a bagunça.

Temerosos de chamar a atenção para si mesmas, elas preferem se misturar com o grupo.

Mais espectador que participante, ela tende a sair de cena ao invés de encarar um confronto. Uma criança tímida pode ser mal interpretada pelos colegas, que geralmente a vê como hostil e conclui que ela não quer brincar ou relacionar-se com eles.

Na realidade, a criança tímida geralmente quer se envolver com seus colegas, mas não sabe como começar ou manter uma conversação.

Os professores também podem interpretar mal a criança tímida, confundindo sua relutância em interagir com o grupo como uma escolha. Os professores podem concluir que uma criança tímida é academicamente lenta, ou ainda que, por serem bem comportadas, precisam de pouca atenção.

Embora seja verdade que uma criança tímida muitas vezes seja um aluno aplicado, esta criança ou jovem frequentemente precisa de atenção do professor para estimulá-la e dar-lhe a confiança para amadurecer em seus relacionamentos.

O fato é que muitas vezes apenas nos concentramos naqueles que nos dão trabalho e trazem problemas, e negligenciamos os demais que estão quietinhos, sem darmos conta de que esses alunos estão enfrentando sérios problemas ligados a relacionamento e autoestima.

O que a Professora pode fazer:

1. Coloque o aluno tímido perto da sua mesa, pois isso permitirá que o aluno possa falar com mais facilidade sem preocupar-se com os demais colegas que estão atrás dele.
2. Coloque o aluno tímido ao lado de outro colega tímido, pois facilitará a ambos iniciar uma amizade e a interação.
3. Estabeleça constante contato com o aluno tímido. Quanto mais você for bem sucedida no desenvolvimento de uma relação de confiança com o aluno, mais provável será que ele desenvolva a confiança necessária para relacionar-se com os seus pares. Tente encontrar tempo para fazer algumas atividades que a criança goste.
4. Fale reservadamente com o aluno tímido. Crianças tímidas precisam de prática em conversar com as pessoas. Mesmo pequenas conversas semanais acerca dos seus interesses os auxiliam a desenvolver habilidades sociais em uma zona de conforto segura.
5. Ensine sobre interação social. O ponto fraco das crianças tímidas é justamente a péssima interação social. Eles não sabem o que dizer, como se aproximar, como devem se portar, sobre o que e como devem falar sem parecerem ridículos . Assim, é preciso que eles sejam ensinados a praticarem pequenos gestos que os ajudem a desinibir e fazê-los sentirem-se seguros na presença de outras pessoas tais como: olhe sempre para o rosto da pessoa que estiver conversando, sempre sorria, ofereça ajuda, agradeça, faça elogios, não tema aproximar-se.
6. Fazendo Amigos. A falta de traquejo social faz com que os alunos tímidos tenham poucos ou nenhum amigo. Por essa razão estão sempre isolados e são sempre vistos sozinhos. Esses alunos querem se envolver com os demais colegas, mas preferem isolar-se e preservarem-se de serem ridicularizadas, pois assim é menos doloroso.

Se você tem alunos nesta condição está na hora de começar a dar uma mãozinha e promover a interação entre os alunos para que as famosas "panelinhas" sejam quebradas e todos tenham chances iguais de se conhecerem e se relacionarem.

Organize os grupos de forma que esses alunos possam interagir com outros colegas que tenham os mesmos interesses.

Agrupe pares com um aluno tímido e um mais descolado para desenvolver atividades mais divertidas, assim o tímido tem a chance de ser auxiliado pelo parceiro e vice versa. Atividades assim reforçam a cumplicidade e companheirismo.

Dando um empurrão extra
É fato que crescemos quando somos desafiados a sair da nossa zona de conforto.
Assim, será necessário, uma vez ou outra, submeter esses alunos a situações com certo limite de desconforto e ansiedade. Alunos tímidos não gostam de realizar apresentações em público porque não se sentem confortáveis em falar para uma plateia. No entanto, depois que você tiver desenvolvido todas as dicas acima, é o momento de começar a propor desafios desse tipo. Afinal, o propósito é ajudar essas crianças a superarem a barreira do medo e da insegurança.

Quando os Amigos isolam o colega que é tímido
Todas as crianças precisam de uma conexão com seus pares. Para aqueles que estão à margem da sociedade, a escola traz amargas lembranças de um período em que foram rejeitados e sofreram isolamento social .
Você já teve dificuldade em encontrar um parceiro para um trabalho em grupo? Nunca era escolhida para uma brincadeira ou um jogo? Tinha apenas alguns poucos colegas para brincar no intervalo? Costumava tomar o lanche sozinha?
Além do efeito que tal isolamento tem sobre a autoestima da criança, ele também pode ter um impacto significativo sobre a sua adaptação escolar.
A criança que fica isolada tem negadas não apenas as oportunidades de aprender as habilidades necessárias para desenvolver e manter amizades, mas também tem o seu desempenho escolar afetado, já que sua saúde emocional fica comprometida.
Não é de surpreender que as crianças que se sentem isoladas de seus pares tendem a ter cada vez mais problemas sociais e acadêmicos à medida que envelhecem.

O que o(a) Professor(a) pode fazer:

1. Procure saber porque a criança está isolada.
Encontre tempo para observar o aluno em diferentes contextos, como no horário do lanche, na entrada, na saída, na quadra, no pátio, corredores, etc. Converse com os pais e professores do ano anterior. A informação que você recebe pode ajudá-la a determinar se as dificuldades do aluno estão relacionadas a questões de timidez, prepotência, agressividade, aparência, higiene.

Você não faz ideia de como as crianças e jovens podem ser cruéis e isolar um colega por motivos banais e até mesmo inexplicáveis.

2. Crie intervenções junto aos Colegas.

  • Ofereça atividades para integração de todos os alunos
  • Crie projetos onde seja trabalhada a cooperação
  • Levante os pontos fortes, talentos e habilidades de todos os alunos e faça-os compartilhar. Assim todos verão uns aos outros sob outra perspectiva


3. Crie intervenções junto ao Aluno.

  • Converse com o aluno e ofereça ajuda
  • Peça para o aluno listar os pontos fortes e
  • Listar as situações em que utilizou os pontos fortes
  • Peça para o aluno listar os pontos fracos e
  • os problemas que está enfrentando devido a isso
  • Peça para o aluno listar que tipo de ajuda gostaria de receber
  • Dê orientações, dicas, sugestões


4. Crie intervenções junto aos Pais.
Encoraje os pais dos alunos tímidos para estimular e ajudar a nutrir os relacionamentos do filho com os colegas.
Você pode sugerir aos pais que abram o lar para receber os colegas do filho. Dê-lhes ideias de como estruturar essas visitas, inclusive convidando apenas uma criança de cada vez e proporcionando uma atividade atraente para a primeira visita. Exemplo: Passar um final de semana, ir assistir a um vídeo (sessão Pipoca), Fazer uma Noite do Pijama (para as meninas). Depois essas visitas podem ser transformadas em Passeios, Festas, Viagens.

Alunos quietinhos não dão problemas, então porque ater-se tanto a eles? Por não causarem transtornos, ou nunca estarem envolvidos em questões de indisciplina, esses alunos são comumente invisíveis aos nossos olhos, mas são esses que se tornam desajustados socialmente.

Alerto que essas situações de isolamento levam várias crianças e jovens a desgostarem de si mesmas ou da vida, encaminhando-as a praticarem a auto mutilação e até mesmo a cometerem o suicídio. Por isso fique atenta aos sinais de ferimentos nos braços, pulsos e pescoço.

Por isso, na próxima vez que você ver um aluno quietinho em um canto, sozinho, afastado dos demais, lembre-se de que ele não dá trabalho na sala de aula, mas precisa que alguém se dê ao trabalho de importar-se com ele.

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Jan Amos Komenský

Jan Amos Komenský
Comenius
  1. Jan Amos Komenský, foi um bispo protestante da Igreja Moraviana, educador, cientista e escritor checo. Como pedagogo, é considerado o fundador da didática moderna. Wikipédia